Esporte

Seleção brasileira de ginástica ganha novos ares com Valeri Liukin

Seleção brasileira de ginástica ganha novos ares com Valeri Liukin


16 de maio de 2019



A seleção brasileira de ginástica artística respira novos ares desde que Valeri Liukin chegou ao país, no ano passado. Acostumadas a um método duro de treinamento — que começou com o ucraniano Oleg Ostapenko, em 2001, passou por sua compatriota Iryna Ilyashenko e pelo russo Alexandre Alexandrov, à frente da equipe na Rio-2016 —, as atletas vivem hoje um clima de tranquilidade no ginásio.

Aos 52 anos, o técnico, que nasceu no Cazaquistão e se naturalizou americano em 2000, renovou o método de treinamento das atletas brasileiras. Segundo elas, “sem gritaria”.

“O principal diferencial é que hoje no ginásio você não vê ninguém berrando, chorando e enlouquecida. Existe muito carinho, ele é respeitoso e acredita muito na gente” — elogia a veterana Jade Barbosa, de 27 anos. “Não estou dizendo que os outros técnicos tenham sido ruins, mas agora temos a oportunidade de experimentar um sistema de treinamento em que todas as meninas são tratadas como pessoas de verdade.”

Valeri Liukin foi campeão olímpico pela extinta União Soviética, com dois ouros e duas pratas, em Seul-1988, mas já despertara a atenção um ano antes, quando conquistou o Mundial da modalidade com movimentos inéditos em sua série de solo e barras fixas no Mundial. Quando parou de competir, logo se dedicou à carreira de técnico, e foi com a filha, Nastia Liukin, que ele se credenciou como um dos melhores do mundo. Sob o comando do pai, a ginasta, que compete pelos Estados Unidos, conquistou nove medalhas em Mundiais (quatro ouros e cinco pratas) e cinco nos Jogos Olímpicos de Pequim-2008, incluindo o ouro do individual geral.

“Eu fico muito feliz e honrada de poder trabalhar com uma referência do esporte. Ele tem um jeito bem diferente, até mais parecido com a nossa cultura brasileira, e isso facilita muito” — completa Jade.

A chegada de Liukin à seleção foi um pedido da Confederação Brasileira de Ginástica (CBG), que há algum tempo procurava uma renovação para a equipe. O técnico ajudou a introduz um sistema de treinamento diferente, no qual a seleção trabalha com uma equipe multidisciplinar. A inspiração para a mudança veio de outros esportes:

“A gente observava outros esportes que tinham uma equipe multidisciplinar, mas não sabíamos como aplicar isso na ginástica, por ser um esporte muito específico. Hoje conseguimos montar um sistema de trabalho conjunto de prevenção, fisioterapia, médico, preparação física. Isso tudo está contribuindo para que o cenário melhore” — explica o treinador Francisco Porath, que acompanha as atletas desde 2013. “Ele mostrou um novo caminho para a gente seguir. Nós acreditamos e, agora, os resultados estão aparecendo.”

O início do ano foi animador para a ginástica brasileira. Em março, a seleção feminina foi campeã pela primeira vez do DTB-Pokal, torneio preparatório para o Mundial da modalidade, que será em Stuttgart (Alemanha), em outubro.

No DTB-Pokal, Rebeca Andrade venceu nos quatro aparelhos (solo, salto, barras e cavalo) e foi fundamental para o título inédito por equipes do Brasil. Depois de passar o ciclo Promessa para Tóquio-2020, a ginasta também disse que a vivência de Liukin nos Estdos Unidos foi fundamental para uma mudança de ares na seleção, e que hoje o técnico até arrisca um português para tentar melhorar a comunicação com as atletas.

“Mesmo ele sendo muito renomado, eu percebo que temos uma troca. Ele ensina e ao mesmo tempo aprende com a gente. O que o Liukin viveu nos EUA influencia muito na forma como ele nos treina” — disse a atleta. “O Alexander, técnico anterior, tinha uma forma diferente de se expressar. Na época eu era muito nova, não sabia falar inglês direito. Quando a gente não o entendia ele ficava irritado. O Liukin tem mais calma para explicar e gente nem precisa de tradutor. Eu percebo até que ele tenta estudar melhor a nossa língua e sempre aparece com palavras novas”

Fonte: oglobo.globo.com